Paralimpíadas

Com vaias a Temer e sob chuva, Jogos Paralímpicos são abertos no Maracanã



Com muita festa, protestos e chuva, os Jogos Paralímpicos Rio 2016 foram oficialmente abertos na noite desta quarta-feira. No Maracanã lotado, a torcida brasileira festejou o início da competição assistindo a diversas apresentações culturais e recebendo com carinho os mais de 4 mil atletas com deficiência que competirão na Cidade Maravilhosa até o dia 18 de setembro.

Além do bom humor do presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC), Sir Philip Craven, e o discurso emotivo do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) Carlos Arthur Nuzman, um dos momentos mais marcantes da cerimônia foi o momento em que o presidente da República Michel Temer fez o pronunciamento de abertura do evento. Ao ser anunciado por Philip Craven, o peemedebista foi recebido com vaias por grande parte do estádio e pronunciou suas breves palavras da sua tribuna, acompanhado da primeira-dama Marcela Temer.

Um vídeo de Philip Craven em diversos pontos do Brasil com sua cadeira de rodas marcou a contagem regressiva para o início da cerimônia, pontualmente realizado às 18h15 (de Brasília). Já no Maracanã, um salto de um cadeirante numa rampa de skate abriu as atividades, seguido de uma apresentação de samba ao som de “A Voz do Morro”, de Jair Rodrigues.

A primeira aparição tecnológica da cerimônia veio depois, quando uma piscina com o paratleta Daniel Dias foi projetada no gramado do Maracanã, dando a sensação de que o estádio virara uma grande piscina.  Em seguida, as praias cariocas foram exaltadas, com passistas representando turistas, vendedores ambulantes e frequentadores do mar carioca.” Corra e olhe o Céu”, de Cartola, “Wave”, de Tom Jobim, e “Aquele Abraço”, de Gilberto Gil, foram as canções que embalaram o momento. Depois, os passistas da “praia” dançaram ao som do funk carioca, e houve a encenação do tradicional aplauso ao por do Sol no Arpoador.

Antes da entrada das delegações, o maestro João Carlos Martins tocou no piano o Hino Nacional Brasileiro ovacionado pela torcida e um mosaico da bandeira brasileira se formou no estádio.

Enquanto as bandeiras dos países participantes dos Jogos entravam no Maracanã, um quebra-cabeça com fotos dos 4342 atletas dos Jogos Paralímpicos era formado. Cada país levava uma peça e a colocava na montagem.

A equipe brasileira foi a última a entrar, ao som de Gonzaguinha, com Shirlene Coelho como porta-bandeira à frente dos 286 atletas da casa e a atriz Fernanda Lima carregando a peça que faltava ao quebra-cabeça.

A imagem de um coração pulsante cercado de flores tomou o Maracanã, seguido de um bonito jogo de fogos de artifício vermelho, antes de Carlos Eduardo Nuzman dar as boas-vindas ao público e a Sir Philip Craven. O discurso de Nuzman valorizou o povo brasileiro e a superação do país para realizar os Jogos. Segundo o mandatário, o Brasil “entrega a História” ao mundo através de atletas, voluntários e torcedores.

“Quando todos duvidam, nós, brasileiros, crescemos. Somos o País das realizações impossíveis, gostamos de trabalhar em equipe e temos os melhores parceiros do mundo. Estamos aqui e agora no Rio, no melhor lugar do planeta, orgulhosos com a missão mais importante da face da Terra”, disse Nuzman.

O dirigente agradeceu aos governos municipal, estadual e federal, o que foi seguido por vaias de parte do estádio e alguns gritos contra o presidente Michel Temer. Em seguida, terminou o discurso exaltando os atletas paraolímpicos, que para ele são “super-humanos, que não conhecem o impossível”.

Philip Craven começou seu discurso logo depois, arriscando uma saudação em português e sendo recebido com muitos aplausos no Maracanã: “Bem-vindos ao Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa. Bem-vindos ao Maraca”

Craven lembrou o momento de turbulência política e econômica vivida pelo Brasil nos últimos tempos, o que dá ainda mais valor aos Jogos e atletas paralímpicos. “Em um país que enfrentou fortes desafios recentemente, os atletas paralímpicos vão mudar o seu foco para um mundo de oportunidades sem fim. Eles vão te surpreender, inspirar e animar. Acima de tudo, vão mudar vocês”, falou.

O presidente do IPC finalizou sua fala agradecendo aos cariocas e brasileiros novamente em português. Em seguida, novamente sob muitas vaias, o presidente Michel Temer abriu oficialmente os Jogos Paralímpicos de sua tribuna.

Após a abertura oficial, o estádio do Maracanã ficou escuro para representar as pessoas com deficiência na visão, e um casal de cegos dançou ao som de Heitor Villa-Lobos. Uma banda de metais de percussão iniciou sua apresentação ao lado de painéis com pictogramas representando os esportes paraolímpicos. Depois, bailarinos de branco dançaram e o símbolo das Paralimpíadas se formou no Maracanã, em cores azul, vermelho e verde.

O hino paraolímpico foi tocado em seguida, junto do hasteamento da bandeira, que foi carregada por pais de crianças deficientes. Os juramentos dos participantes iniciaram com o nadador Philpe Rodrigues, que falou em nome dos atletas. Depois, treinadores, árbitros e voluntários fizeram seus votos.

Logo depois, iniciou-se um dos momentos mais aguardados da abertura: a snowboarder e bailarina norte-americana Amy Purdy iniciou uma apresentação de dança acompanhada de um robô ao som de samba. O objetivo, segundo os organizadores, foi representar a relação do homem com a tecnologia.

Ao final da apresentação, a chama paraolímpica chegou ao Maracanã carregada por Antônio Delfino, três vezes medalhista no atletismo paralímpico. A também Márcai Malsar levou a tocha em seguida, chegou a cair no chão, mas levantou-se sob aplausos e entregou o objeto a Ádria dos Santos, dona de 13 medalhas nos Jogos. A missão de acender a pira paraolímpica ficou por conta do nadador Clodoaldo Silva, que subiu a rampa do palco do Maracanã mesmo com chuva e realizou o símbolo do início dos Jogos.

Acesa a pira, o cantor Seu Jorge tomou o palco do Maracanã e encerrou a cerimônia de abertura com uma apresentação musical.

Autor: Redação Ferreguion

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